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Os Línguas

 

No Brasil, o Tupi-Guarani, chamado de língua brasílica nos relatos dos jesuítas, foi a língua de conversão religiosa de 1579, período da chegada do jesuítas, até 1759, ano em que a Companhia de Jesus foi expulsa da colônia e teve início a implantação de uma política patrocinada pela administração colonial de oficialização do Português no contato com grupos indígenas.

Antes da chegada dos missionários e da administração da colônia, já existia a função de 'intérprete'. Esta função era exercida, em geral, pelos colonos que se encontravam espalhados pela costa e tinham a missão de se comunicarem com a população branca que chegava em navios para abastecimento e comercialização.

Neste período o aprendizado da língua era oral, podendo-se afirmar que o Tupi era uma língua de comunicação interna. Já para a Companhia de Jesus, o Tupi funcionava como língua de comunicação externa. A existência de intérpretes na Companhia de Jesus era limitada pois nem todos os membros dominavam o Tupi. Como solução inicial, os jesuítas necessitaram usar intérpretes externos à ordem religiosa até que a Companhia formou seu próprio quadro de 'línguas', vinculados à Missão por laços de obediência.

Nos primeiros anos, o recrutamento para os quadros jesuíticos esteve vinculado ao domínio da língua brasílica.

Manuel da Nóbrega, o 1º provincial dos jesuítas no Brasil (1549 até 1559), formou seu quadro de 'Línguas' por meio dos colonos e meninos órfãos enviados da Europa. Os meninos chegavam em média com 14 anos de idade.

Outro importante contingente de 'Línguas' foi o de colonos e meninos portugueses crescidos no Brasil. Essas pessoas eram colocadas em contato direto com os índios por período de anos. Era uma forma espontânea de aprender a língua. A aquisição era feita por imersão, como muitas pessoas optam hoje em dia.

Ser 'Língua ou não-Língua' tinha mais importância que ser ou não letrado, podendo a pessoa chegar à cargos dirigentes no interior da ordem religiosa.

Sendo a língua de conversão, o Tupi foi estudado e fixado em catecismos, vocabulários e gramáticas.

O 1º gênero a ser elaborado foi o catecismo que continha cada cerimonial cristão, como o batismo, o casamento e outros. Os vocabulários foram elaborados por iniciativa e uso individual até 1565, e a 1ª gramática foi escrita pelo padre Anchieta e publicada em 1595.